Em todo esse tempo eu derramei suor e lágrimas, de alegria e de tristeza. Eu vi meu time ganhar jogos improváveis, eu perdi a voz cantando o hino mais bonito do Brasil a plenos pulmões para apoiar jogadores que representavam bem o que significa este manto alvinegro. Também despejei toneladas de palavrões em derrotas acachapantes, que doem na alma e na cabeça de quem precisa aguentar a falação alheia. Eu vi este time ser rebaixado para a segunda divisão. Eu estava no Mineirão quando 45.000 pessoas cantaram o hino do clube após ver um time dar a uma nação o momento mais triste de sua história. Eu também estava lá quando o Galo retornou, sob as vozes embargadas de quase 60.000 apaixonados.
Mas nunca, e eu repito com veemência, NUNCA eu havia sentido vergonha do Clube Atlético Mineiro. Hoje, eu senti. Não só pelo placar, que, por si só, já poderia causar este sentimento. Mas, sim por ver que a instituição que me desperta as mais viscerais emoções (amor, alegria, paixão, ódio, decepção, desespero) é sujeita a algo sujo, podre, que vai muito além do esporte, da capacidade (ou falta dela) e da determinação. Ver um bando de mercenários vestidos com o pavilhão atleticano e fazer o papel ridículo que fizeram esta tarde em Sete Lagoas é um golpe duro demais em um apaixonado não só pelo Galo, mas pelo esporte, pelo futebol. É uma traição que não se explica, não se justifica. É uma ferida que não se cura.
E, vocês, torcedores azulinos do lado de lá, falem o que quiser. Este espaço é aberto e o momento é favorável a vocês. Nada do que disserem terá a mínima importância para mim hoje ou nos próximos dias (aliás, nunca teve e acho que nunca terá). Minha história é com o Galo. Minha dor é pelo que estes vagabundos que estiveram em campo com a camisa que eu SEMPRE vesti com orgulho me fazem passar hoje. Eles não são dignos da nossa história. Não são dignos da nossa torcida. Aliás, quem faz o que estes pilantras fizeram hoje, não é digno de nada positivo.
A ferida da tarde de hoje vai demorar demais a fechar. Se é que vai. E mesmo se fechar, deixará, marcada na alma atleticana, uma cicatriz que servirá sempre de lembrança do único (até hoje) dia em que eu senti vergonha do Clube Atlético Mineiro. A paixão não morre. Mas o espírito torna-se capenga e sem energia. Daqui pra frente o Atlético precisará reescrever sua história, na tentativa de fazer, daqui a muitos anos, com que o dia de hoje seja apenas uma lembrança ruim, uma página manchada em um folhetim de glórias.
A TODOS os jogadores (difícil chamá-los de jogadores) deste atual elenco, meu desprezo. Ao GALO, sempre minha paixão e a esperança pálida de dias melhores.

3 comentários:
:(
Fantástico! Belo texto.
Ainda bem que a paixão quase irracional que o Galo desperta nos seus torcedores não está impedindo estes mesmos torcedores de se indignar profundamente e de criticar uma atitude que, se não foi criminosa na ação, foi criminosa na omissão e na falta de respeito.
Tô danada da vida! E hoje eu não grito GALÔÔÔ!
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