A iminência do indizível (até que seja de fato, é melhor não
mencionar) tem feito coisas incríveis com essa sedenta, surrada e extasiada
Massa. Incluindo este escriba que vos fala. Não são poucos os ateus que
passaram a rezar para santos improváveis e acreditar em milagres nesse ano de
2021. Aliás, essa misteriosa conversão se deu de fato lá em maio de 2013, no
dia que uma Santa Perna Esquerda expurgou demônios e fantasmas que assombravam
as cadeiras do Horto. Mas esse ano, a religiosidade galista tem ganhado força e
não faltam novos candidatos a santos para serem elevados ao paraíso alvinegro.
Há
também os céticos, pessoas de ciência e consciência, que com os pés no chão e as
mentes livres do misticismo, não abrem mão de usar a mesma cueca, o mesmo
sutiã, a mesma bermuda, a mesma camisa. O mesmo chinelo com os pés trocados
enquanto sentam-se no mesmo lugar do sofá para assistir a cada jogo do
Campeonato Brasileiro. Há ainda os novos poetas. Gente que nunca se arriscou
nas palavras, mas sente-se, depois de cada jogo, inspirada e iluminada a ponto
de sem maiores constrangimentos rimar Keno com vento, aquele contra o qual
torcemos sempre que é necessário.
Merecem menção também os novos chorões.
Aqueles que durante anos foram conhecidos por serem impassíveis e manterem-se
firmes mesmo em situações de grande comoção, hoje derretem-se em lágrimas e
soluços se por acaso olharem no relógio precisamente às 13:13, ou se escutarem
o galo do vizinho cantar fora de hora... Passar em frente às obras da Arena MRV
então, é choro certo.
Mas esses fenômenos, dirão alguns desavisados, são comuns a
qualquer torcida. O argumento morre em si mesmo pois, desavisados que são, são
incapazes de compreender que a coletividade atleticana é muito mais do que uma
simples torcida. Há, no entanto, um novo aspecto que desafia análises
rasteiras. O Galo 2021 será conhecido como a maior turma de formandos em estatística
que se tem notícia.
Nunca antes na história deste país, tantas pessoas
abandonaram os traumas que a matemática do ensino médio lhes causou para
tornarem-se exímios estatísticos e analistas de probabilidades. Mal acaba a
partida do Galo ou dos oponentes e o já famoso site da UFMG tem seus servidores
sobrecarregados. Dotados das probabilidades meticulosamente calculadas pelos
acadêmicos de plantão, iniciam-se então as análises, as equações, as regras de
três, somas e subtrações. Projeções são feitas e desfeitas, datas para que
aconteça o que todos que queremos que aconteça são marcadas e desmarcadas. Resultados
são antecipados e jogados por terra. Planos são traçados e logo desfeitos.
A
matemática diz uma coisa. Nossas cabeças imploram para acreditar, afinal, são
números frios, exatos, precisos. Nossos corações, calejados que são, nos dizem
pra esperar. Pra nem mencionar o que pode ser que esteja por vir. Nossas almas
guardam na garganta um grito que esperneia para sair. Por isso, não se
assustem.
Quando os números forem definitivos (se é que serão...), Belo
Horizonte vai entrar em ebulição. E vai explodir nesse grito coletivo, nessa
lágrima compartilhada, nesse festejar conjunto que há quase 50 anos está
guardado. Dizem por aí que falta pouco. Mas parece uma eternidade. E haja matemática pra explicar isso...
Vamo que
vamo!
quarta-feira, 17 de novembro de 2021
Haja matemática!
quinta-feira, 10 de julho de 2014
A Seleção e o Brasil
Eu já li tanta coisa boa, tanta coisa ruim e tanta coisa
absolutamente sem propósito depois do que aconteceu no Mineirão, que, a
princípio, não pensei em divulgar por aqui o que penso. Mas mudei de ideia.
Talvez porque eu tenha mais facilidade de processar momentos marcantes com
ajuda das palavras escritas, talvez simplesmente porque queira mesmo
compartilhar com pessoas que gosto o que está fermentando na minha cabeça desde
o final da tarde de terça-feira. E já aviso, pra quem tiver preguiça, que o
texto será longo. É tanta coisa na cabeça, que tá difícil condensar.
Bom, agora poderia ser a hora de dar os louros da vitória
aos que, desde antes de a Copa começar, optaram por torcer contra, seja lá qual
fosse a motivação para isso. Poderia ser o momento de oferecer de mão beijada o
pano para a interminável manga dos que não sabem separar as coisas e analisar
de forma individual o que precisa ser analisado individualmente e de forma
coletiva o que precisa ser analisado coletivamente. Poderia ser a oportunidade de
declarar rendição aos fantásticos profetas do acontecido, que, muitas vezes com
pouco ou nenhum conhecimento do esporte em questão (sim, estamos falando de
futebol, lembram?), destilarão seus "Eu disse que ia dar m....",
"Tava na cara que essa Seleção não ia aguentar.", “Esse é o
Brasil...” e outras frases que já estavam salvas em algum bloco de notas,
aguardando o Ctrl+c, Ctrl+v, que as libertariam para as redes sociais e afins.
Na verdade, tudo isso já foi feito. A derrota acachapante da
Seleção foi o gatilho que disparou toda a sorte de reações negativas,
manifestações de ódio (a alguma coisa, muitas vezes não definida) e
despropositados argumentos para defender essa ou aquela teoria. E tudo bem.
Vivemos em um país que nos garante livre expressão das nossas ideias. O
problema é que no meio de tudo isso, parece estar escorrendo entre os dedos uma
questão fundamental. O que aconteceu no Mineirão foi um jogo de futebol.
Aquele mesmo futebol, que é a coisa mais importante entre as
coisas menos importantes da vida. Aquele que, ainda assim, desperta emoções e
nos atrai de forma magnética a encarar um gramado, uma bola e 22 jogadores
durante 90 minutos. Mas foi um jogo de futebol. E, se há uma série de
discussões mais profundas a serem feitas, é preciso, antes disso, admitir que
já faz um tempo que deixamos de ser O
País do Futebol. Somos mais um dos Países do Futebol. E um país que, em geral,
passou a confiar apenas no diferencial técnico que nossos jogadores costumavam
ter e, de forma arrogante e prepotente, deixou de se preocupar com tática,
estratégia, posicionamento e inteligência coletiva dentro de campo. O resultado
está aí. Mais escancarado, impossível. Fomos engolidos por outro País do
Futebol, que trabalha incessantemente em todos estes aspectos, além de primar,
também, pela qualidade. Ou vai me dizer que Müller, Kroos, Khedira, Ozil, Schweinsteiger
e cia limitada não têm qualidade técnica?
A Seleção Alemã, representando sua federação e seu futebol,
deu uma aula de planejamento a longo prazo, pensamento estratégico, seriedade,
competência e respeito ao esporte e ao adversário. Nossa Seleção, representando
nossa “querida” CBF e nosso futebol, mostrou despreparo, destempero e
imaturidade. E é isso. O juiz apitou. Acabou o jogo de futebol. A torcida é
para que o desastre, o já infame Mineirazo, não tenha sido em vão. Que provoque
mudanças em nossa estrutura futebolística para que, aí sim, apoiados pela
enorme paixão de nosso povo pelo esporte e pela capacidade natural que temos de
produzir craques, possamos voltar a dar as cartas no mundo do futebol.
A Seleção Brasileira de Futebol perdeu. E perdeu feio. O
Brasil não. A despeito dos que torceram pra dar errado e dos profetas do
acontecido, a Copa foi e ainda é um absoluto sucesso! A imprensa mundial não
cansa de elogiar e já elegeu esta como a melhor Copa de todos os tempos. E que
fique claro que não foi só pelo que aconteceu em campo. A Copa funcionou e
funcionou bem. Que fique a lição de que a arrogância no esporte vai tão mal
quanto a descrença no País e na sua capacidade de ser grandioso. Que fique o
aprendizado de que precisamos melhorar em tudo, sim, mas não estamos tão mal
quanto nós mesmos às vezes gostamos de espalhar por aí. Que sejamos mais
justos, mais coerentes e mais serenos para criticar o que precisa ser criticado
e elogiar o que é digno de elogios.
Rendeu! Obrigado e desculpa a quem chegou até aqui!!! Pra
não falar que não teve cara de resenha, vamo lá! 0 pontinhos no balaio da
Seleção. Mas vamo que vamo, Brasil!!!!!!
P.S.: Em tempo, meus agradecimentos gigantescos ao primo Aitan, que me proporcionou, aos 46 do segundo tempo, a possibilidade de realizar o sonho de ver, in loco, uma semifinal de Copa do Mundo! Valeu demais, velhinho!!!
P.S.: Em tempo, meus agradecimentos gigantescos ao primo Aitan, que me proporcionou, aos 46 do segundo tempo, a possibilidade de realizar o sonho de ver, in loco, uma semifinal de Copa do Mundo! Valeu demais, velhinho!!!
domingo, 4 de dezembro de 2011
Vergonha sem igual
São 29 anos de idade. Todos eles vividos sob a égide da paixão pelo Galo. Claro que não acompanhei o Galo diariamente desde os primeiros anos de vida. Mas a paixão estava lá. Implantada no DNA e correndo nas veias. Tentando ser racional, talvez sejam cerca de 22, 23 anos de paixão alimentada pelo real interesse não só pelos jogos propriamente ditos, como também pelas coisas que dizem respeito ao Galo.
Em todo esse tempo eu derramei suor e lágrimas, de alegria e de tristeza. Eu vi meu time ganhar jogos improváveis, eu perdi a voz cantando o hino mais bonito do Brasil a plenos pulmões para apoiar jogadores que representavam bem o que significa este manto alvinegro. Também despejei toneladas de palavrões em derrotas acachapantes, que doem na alma e na cabeça de quem precisa aguentar a falação alheia. Eu vi este time ser rebaixado para a segunda divisão. Eu estava no Mineirão quando 45.000 pessoas cantaram o hino do clube após ver um time dar a uma nação o momento mais triste de sua história. Eu também estava lá quando o Galo retornou, sob as vozes embargadas de quase 60.000 apaixonados.
Mas nunca, e eu repito com veemência, NUNCA eu havia sentido vergonha do Clube Atlético Mineiro. Hoje, eu senti. Não só pelo placar, que, por si só, já poderia causar este sentimento. Mas, sim por ver que a instituição que me desperta as mais viscerais emoções (amor, alegria, paixão, ódio, decepção, desespero) é sujeita a algo sujo, podre, que vai muito além do esporte, da capacidade (ou falta dela) e da determinação. Ver um bando de mercenários vestidos com o pavilhão atleticano e fazer o papel ridículo que fizeram esta tarde em Sete Lagoas é um golpe duro demais em um apaixonado não só pelo Galo, mas pelo esporte, pelo futebol. É uma traição que não se explica, não se justifica. É uma ferida que não se cura.
E, vocês, torcedores azulinos do lado de lá, falem o que quiser. Este espaço é aberto e o momento é favorável a vocês. Nada do que disserem terá a mínima importância para mim hoje ou nos próximos dias (aliás, nunca teve e acho que nunca terá). Minha história é com o Galo. Minha dor é pelo que estes vagabundos que estiveram em campo com a camisa que eu SEMPRE vesti com orgulho me fazem passar hoje. Eles não são dignos da nossa história. Não são dignos da nossa torcida. Aliás, quem faz o que estes pilantras fizeram hoje, não é digno de nada positivo.
A ferida da tarde de hoje vai demorar demais a fechar. Se é que vai. E mesmo se fechar, deixará, marcada na alma atleticana, uma cicatriz que servirá sempre de lembrança do único (até hoje) dia em que eu senti vergonha do Clube Atlético Mineiro. A paixão não morre. Mas o espírito torna-se capenga e sem energia. Daqui pra frente o Atlético precisará reescrever sua história, na tentativa de fazer, daqui a muitos anos, com que o dia de hoje seja apenas uma lembrança ruim, uma página manchada em um folhetim de glórias.
A TODOS os jogadores (difícil chamá-los de jogadores) deste atual elenco, meu desprezo. Ao GALO, sempre minha paixão e a esperança pálida de dias melhores.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
SIR Paul, here we go!
Pois é... Tá chegando a hora! Próximo domingo, dia 21/11 estarei frente a frente (ok, com uns muito metros de distância) de uma lenda viva da música. Irei presenciar, ao vivo, a apresentação de um dos monstros sagrados do Rock 'n Roll. Sim. Eu verei o show do Paul McCartney em São Paulo. Um Beatle, de verdade, ali, sobre um palco, desfilando sua genialidade em notas, harmonias e melodias. E eu ali, em meio a uma multidão que certamente estará em estado de êxtase. O sentimento, por enquanto, ainda é de certa incredulidade. Ainda não consegui absorver 100% o fato de estar indo ver o show DO PAUL McCARTNEY. É muito. É sensacional. É a realização de um sonho que até muito pouco tempo atrás parecia impossível ou extremamente improvável. Mas agora, estou a 3 dias de realizá-lo. Ver ao vivo o cara que compôs grande parte das músicas que estão entre as minhas grandes favoritas. Ver ao vivo o artista que, junto John, George e Ringo, revolucionou o mundo da música. Ver ao vivo um ícone absoluto da música. É muito! A expectativa é grande. Vamo que vamo!
Prometo outro post na semana que vem para tentar relatar as impressões e emoções do show.
Até!!
Ao som de "Drive My Car - Paul McCartney - Good Evening, New York City"
Prometo outro post na semana que vem para tentar relatar as impressões e emoções do show.
Até!!
Ao som de "Drive My Car - Paul McCartney - Good Evening, New York City"
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Na Copa da África, a zebra está em casa

Pois é... Quem mandou realizar Copa do Mundo justo na casa da dita cuja. E, como anfitriã, a tal da zebra tem feito questão de dar as caras por aí.
A listrada já começou a dar o ar da graça na primeira rodada. A forte e, pelo menos até então, candidatíssima ao título, Inglaterra, não conseguiu sair do empate com os "colonos" norte-americanos. O 1 a 1 surpreendeu, mas ainda não havia como comprovar que a equina P&B estaria tão à vontade em seus domínios. Mas logo ficaria claro que Dona Zebra não pouparia nem mesmo os atuais campeões mundiais. A Itália também empacou em um 1 a 1 com o questionável Paraguai e não fez jus na estreia à posição de campeã.
Mas a saga da zebruda não parou por aí. Aliás, ela resolveu mostrar que estaria mesmo presente na Copa no jogo do Grupo H entre Espanha e Suíça. A Espanha mais do que nunca chegou como favorita tanto pelo futebol apresentado, quanto pelos resultados recentemente conquistados. Mas nada disso foi suficiente para driblar nossa monocromática amiga e o ferrolho suíço segurou o ímpeto espanhol, causando à Fúria uma derrota inesperada logo na estreia.
Não satisfeita em azucrinar a vida dos favoritos, a senhorita de crinas esvoaçantes decidiu também pegar no pé de seleções que, se não são exatamente favoritas, possuem alguma história em Copas e são reconhecidas pela qualidade. E a Nigéria foi uma dessas vítimas. Ninguém esperava que justamente contra um time forte, jogando no próprio continente, a Grécia conseguiria marcar seu primeiro gol em Copas. Pois marcou. E foram logo dois, que garantiram a vitória por 2 a 1 sobre os africanos. Nessa mesma toada, quem sofreu foram Les Bleus. Os franceses já haviam decepcionado com um empate na estreia, mas o jogo era contra uma seleção que tem história e força em Copas, o Uruguai. No segundo jogo, veio o coice verdadeiro da zebra. França 0x2 México e haja tequila pra sustentar a festa na terra de Zapata.

E quando todos acharam que já bastava, eis que surge de novo nossa amiga. A Alemanha, que havia se mantido longe da listradinha na primeira partida, metendo um belo 4 a 1 na Austrália, sentiu o poder da anfitriã ungulada ao perder de forma melancólica (com direito a expulsão e pênalti perdido) para a Sérvia por 1 a 0. Para completar o serviço nesses primeiros 8 dias de Copa, a zebra voltou a açoitar o British Team. Em mais uma atuação fraca, os inventores do futebol ficaram em um 0 a 0 contra a mais fraca ainda Argélia.
E a Copa ainda está começando. Que outras peças espera pregar a famigerada Equus quagga? Candidatos a zebrados não faltam. Inclusive um certo canarinho que anda arriscando demais conhecer os relinchos de nossa amiga listrada. Façam suas apostas!
A listrada já começou a dar o ar da graça na primeira rodada. A forte e, pelo menos até então, candidatíssima ao título, Inglaterra, não conseguiu sair do empate com os "colonos" norte-americanos. O 1 a 1 surpreendeu, mas ainda não havia como comprovar que a equina P&B estaria tão à vontade em seus domínios. Mas logo ficaria claro que Dona Zebra não pouparia nem mesmo os atuais campeões mundiais. A Itália também empacou em um 1 a 1 com o questionável Paraguai e não fez jus na estreia à posição de campeã.
Mas a saga da zebruda não parou por aí. Aliás, ela resolveu mostrar que estaria mesmo presente na Copa no jogo do Grupo H entre Espanha e Suíça. A Espanha mais do que nunca chegou como favorita tanto pelo futebol apresentado, quanto pelos resultados recentemente conquistados. Mas nada disso foi suficiente para driblar nossa monocromática amiga e o ferrolho suíço segurou o ímpeto espanhol, causando à Fúria uma derrota inesperada logo na estreia.
Não satisfeita em azucrinar a vida dos favoritos, a senhorita de crinas esvoaçantes decidiu também pegar no pé de seleções que, se não são exatamente favoritas, possuem alguma história em Copas e são reconhecidas pela qualidade. E a Nigéria foi uma dessas vítimas. Ninguém esperava que justamente contra um time forte, jogando no próprio continente, a Grécia conseguiria marcar seu primeiro gol em Copas. Pois marcou. E foram logo dois, que garantiram a vitória por 2 a 1 sobre os africanos. Nessa mesma toada, quem sofreu foram Les Bleus. Os franceses já haviam decepcionado com um empate na estreia, mas o jogo era contra uma seleção que tem história e força em Copas, o Uruguai. No segundo jogo, veio o coice verdadeiro da zebra. França 0x2 México e haja tequila pra sustentar a festa na terra de Zapata.

E quando todos acharam que já bastava, eis que surge de novo nossa amiga. A Alemanha, que havia se mantido longe da listradinha na primeira partida, metendo um belo 4 a 1 na Austrália, sentiu o poder da anfitriã ungulada ao perder de forma melancólica (com direito a expulsão e pênalti perdido) para a Sérvia por 1 a 0. Para completar o serviço nesses primeiros 8 dias de Copa, a zebra voltou a açoitar o British Team. Em mais uma atuação fraca, os inventores do futebol ficaram em um 0 a 0 contra a mais fraca ainda Argélia.
E a Copa ainda está começando. Que outras peças espera pregar a famigerada Equus quagga? Candidatos a zebrados não faltam. Inclusive um certo canarinho que anda arriscando demais conhecer os relinchos de nossa amiga listrada. Façam suas apostas!
Ao som de "I Believe in Miracles - Ramones - Loco Live"
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Lá vai Marques...
Completando o post abaixo, reproduzo aqui um texto do poeta alvinegro Roberto Drummond sobre o Marques.
Lá vai Marques com a bola
Lá vai Marques com a bola. Vai sozinho, só ele e Deus. Vai franzino. Vai quase um menino. Vai como um sino tocando; quando Marques pega a bola, é preciso ter fé. É preciso acreditar na festa do gol, é preciso libertar este grito de gol, em seguida ao drible traiçoeiro.
Ah, qual é o mistério de Marques?
Acaso é um guerrilheiro?
É um mágico?
É um anjo de chuteiras?
É um feiticeiro?
Tristes do meu país: alegrai-vos que Marques está com a bola e, quando Marques está com a bola, o milagre acontece.
O que é feio fica bonito.
O que é triste fica alegre.
O que é sem amor ganha um amor.
O que é sem esperança ganha fé.
Quando Marques pega a bola e parte com ela, com a decisão de um craque, os laterais direitos e os zagueiros tremem.
O que você está esperando, lateral-direito?
Espera o drible pela esquerda? Espera o drible pela direita? Espera um nó cego? Espera uma mágica de Marques?
O que impressiona em Marques é o amor e o respeito com que trata a bola.
É como se a bola não fosse uma bola, mas uma flor. Como se, mais do que uma flor, a bola fosse gente. Como se mais do que gente, a bola fosse uma mulher. Como se, mais do que uma mulher, a bola fosse a amada.
Uns chutam a bola com força. Uns chutam com raiva. Chutam com rancor. Chutam sem dó nem piedade. Marques não. Parece que Marques está dizendo aos incrédulos do mundo: numa bola a gente não bate nem com uma flor. O toque da chuteira de Marques tocando a bola é como uma flor tocando.
Marques joga um futebol irmão. Toda a magia feiticeira que põe no drible, correndo pela esquerda como um guerrilheiro de Deus, é em função da solidariedade no futebol.
Não, Marques não tem fome de gols.
Não, Marques não é um fominha.
Ele dribla pelos companheiros de time. Quando cruza a bola, é como se quisesse ensinar a todos nós e aos brasileiros em geral: é preciso ser irmão.
Desesperados do meu país: calai vosso desespero que Marques está com a bola nos pés. Vale viver para ver. Adiai vossos gestos tresloucados que, quando Marques corre com a bola, dá uma vontade de viver, uma vontade de ser bom, uma vontade de fazer o bem sem olhar a quem.
Marques é como um operário jogado, tijolo por tijolo, drible por drible.
Lá vai Marques com a bola. Vai sozinho. Vai como uma locomotiva passando: senhores passageiros do trem da alegria, queiram tomar vossos lugares.
Lá vai Marques com a bola
Lá vai Marques com a bola. Vai sozinho, só ele e Deus. Vai franzino. Vai quase um menino. Vai como um sino tocando; quando Marques pega a bola, é preciso ter fé. É preciso acreditar na festa do gol, é preciso libertar este grito de gol, em seguida ao drible traiçoeiro.
Ah, qual é o mistério de Marques?
Acaso é um guerrilheiro?
É um mágico?
É um anjo de chuteiras?
É um feiticeiro?
Tristes do meu país: alegrai-vos que Marques está com a bola e, quando Marques está com a bola, o milagre acontece.
O que é feio fica bonito.
O que é triste fica alegre.
O que é sem amor ganha um amor.
O que é sem esperança ganha fé.
Quando Marques pega a bola e parte com ela, com a decisão de um craque, os laterais direitos e os zagueiros tremem.
O que você está esperando, lateral-direito?
Espera o drible pela esquerda? Espera o drible pela direita? Espera um nó cego? Espera uma mágica de Marques?
O que impressiona em Marques é o amor e o respeito com que trata a bola.
É como se a bola não fosse uma bola, mas uma flor. Como se, mais do que uma flor, a bola fosse gente. Como se mais do que gente, a bola fosse uma mulher. Como se, mais do que uma mulher, a bola fosse a amada.
Uns chutam a bola com força. Uns chutam com raiva. Chutam com rancor. Chutam sem dó nem piedade. Marques não. Parece que Marques está dizendo aos incrédulos do mundo: numa bola a gente não bate nem com uma flor. O toque da chuteira de Marques tocando a bola é como uma flor tocando.
Marques joga um futebol irmão. Toda a magia feiticeira que põe no drible, correndo pela esquerda como um guerrilheiro de Deus, é em função da solidariedade no futebol.
Não, Marques não tem fome de gols.
Não, Marques não é um fominha.
Ele dribla pelos companheiros de time. Quando cruza a bola, é como se quisesse ensinar a todos nós e aos brasileiros em geral: é preciso ser irmão.
Desesperados do meu país: calai vosso desespero que Marques está com a bola nos pés. Vale viver para ver. Adiai vossos gestos tresloucados que, quando Marques corre com a bola, dá uma vontade de viver, uma vontade de ser bom, uma vontade de fazer o bem sem olhar a quem.
Marques é como um operário jogado, tijolo por tijolo, drible por drible.
Lá vai Marques com a bola. Vai sozinho. Vai como uma locomotiva passando: senhores passageiros do trem da alegria, queiram tomar vossos lugares.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Olê Marques!!!
Hoje chegou ao fim a carreira de um daqueles jogadores cuja história se confunde com a história
do clube que defende. Um jogador que parece não mais vestir uma camisa alvinegra, mas, sim, ter a pele marcada pelas cores e o peito tatuado com um escudo que defendeu tantas vezes. Para ser mais preciso, foram 386 jornadas defendendo o manto que ele mesmo eternizou como pavilhão em cena inesquecível para milhões de emocionados torcedores atleticanos.
Marques Batista de Abreu, o Calango, o Messias, deixa o futebol. Talvez não da maneira que gostaria, já que a dedicação ao Galo fazia com que ele quisesse jogar mais, ajudar mais. Queria ele ouvir mais vezes um Mineirão lotado bradando "Olê, Marques... Olê Marques".
Para os mais antigos, ele era como um filho... Para os mais jovens, como um irmão, ou um camarada... Para os pequenos, um gigante, do alto dos seus 1,74 de altura, um heroi... Para toda a nação alvinegra, um ídolo! Marques é o meu maior ídolo no futebol. É o cara que esteve em campo nas minhas maiores alegrias e tristezas nessa história de paixão ao Galo. É quem mais me ouviu gritar das arquibancadas do Mineirão.
Mas o inevitável efeito do tempo pesa e aquele que foi o pesadelo de zagueiros e laterais direitos já não conseguia mais tornar tão fácil aquele caminho pelo lado esquerdo do campo até o gol. E a hora de parar chega. Para nós, resta um sentimento de gratidão por tudo. Valeu, Calango! E, para sempre, Olê Marques!!
do clube que defende. Um jogador que parece não mais vestir uma camisa alvinegra, mas, sim, ter a pele marcada pelas cores e o peito tatuado com um escudo que defendeu tantas vezes. Para ser mais preciso, foram 386 jornadas defendendo o manto que ele mesmo eternizou como pavilhão em cena inesquecível para milhões de emocionados torcedores atleticanos.Marques Batista de Abreu, o Calango, o Messias, deixa o futebol. Talvez não da maneira que gostaria, já que a dedicação ao Galo fazia com que ele quisesse jogar mais, ajudar mais. Queria ele ouvir mais vezes um Mineirão lotado bradando "Olê, Marques... Olê Marques".
Para os mais antigos, ele era como um filho... Para os mais jovens, como um irmão, ou um camarada... Para os pequenos, um gigante, do alto dos seus 1,74 de altura, um heroi... Para toda a nação alvinegra, um ídolo! Marques é o meu maior ídolo no futebol. É o cara que esteve em campo nas minhas maiores alegrias e tristezas nessa história de paixão ao Galo. É quem mais me ouviu gritar das arquibancadas do Mineirão.
Mas o inevitável efeito do tempo pesa e aquele que foi o pesadelo de zagueiros e laterais direitos já não conseguia mais tornar tão fácil aquele caminho pelo lado esquerdo do campo até o gol. E a hora de parar chega. Para nós, resta um sentimento de gratidão por tudo. Valeu, Calango! E, para sempre, Olê Marques!!
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