terça-feira, 19 de maio de 2009

Sobre goleadas, pênaltis e outros pênaltis

Pois é... Mais uma goleada pras meninas azuladas. Mais uma final jogada no lixo ainda no primeiro jogo. Difícil suportar. O desastre desse ano abalou minha relação com o Galo. Não que tenha deixado de amá-lo, claro. Mas a relação estremeceu. Fiquei triste, machucado. Não fui o único, isso foi fácil perceber. Mas um certo (por certo, entenda-se pouco...) tempo mantendo uma certa (por certa, entenda-se curta...) distância pode fazer bem pra esse relacionameto tão intenso.
Em pouco mais de uma semana, experimentamos sensações absolutamente distintas ocasionadas por pênaltis cobrados por jogadores do Galo... O primeiro deles, cuja sesação foi de total desolação e frustração, foi, obviamente, aquele cobrado pelo Leandro Almeida na disputa contra o Vitória em pleno Mineirão. A ressaca ainda era braba pela final do Mineiro. O lombo ainda doía, já que havíamos também levado uma sapatada dos baianos no Barradão: 3 a 0. Àquela altura, a rcuperação na Copa do Brasil parecia impossível e realmente era improvável. Precisaríamos fazer 4 gols de diferença para a classificação direta ou 3 a 0 para levarmos a peleja para as cobranças de penaltis. E não é que o impossível se tornou provável e acabou por se concretizar (quase com a diferença de 4 gols, não fosse o "gol feito" perdido pelo Tardelli - logo ele!! - aos 46 do segundo tempo) com os 3 a 0 alcançados com os gols do Renan, Welton Felipe e Alessandro? O resultado levou para a disputa de penaltis e no último da série, o quinto batido pelo Galo, veio a decepção... O capitão Leandro Almeida bateu mal e deixou nas mãos do Biáfara mais uma Copa do Brasil que acaba cedo demais.
Mas, uma semana e dois dias depois, justamente um penalti foi a redenção do Galo dentro da partida. O jogo contra o Grêmio, no Mineirão, pela segunda rodada do Brasileirão já cheirava a empate quando o Excelentíssimo Senhor Doutor Seneme, juiz digno de todo o meu respeito, marcou um penalti a nosso favor. Já estávamos nos acréscimos do segundo tempo e o Tardelli ajeitou para bater. Ele não havia feito gols nos 5 jogos anteriores. Passou em branco na decisão do Mineiro e nos jogos contra o Vitória, pela Copa do Brasil. Foi com a frieza de matador que é, deu paradinha e tudo mais, e balançou pela 24ª (sai logo desse número, Tardelli!) as redes adversárias. Vencemos o Grêmio, melhor time da Libertadores 2009. Só por isso está tudo bem? Não!! Claro que não... Falta muito ainda para que aquela relação com o Galo volte aos tempos áureos. Mas vamos com calma... O Brasileirão está só começando e ainda tem a Sul-Americana esse ano.
Até a próxima!

Oldies, but goodies!

Vem aí mais uma velhota interessante. Essa promete criar alguma polêmica já que muita coisa aconteceu desde o dia em que esse texto foi escrito até hoje, principalmente com seu protagonista. Falo aqui do Ronaldo... Ele mesmo, o Fenômeno. Escrevi o texto em plena Copa do Mundo de 2006, logo após o jogo contra o Japão. Bom, leiam e levem em consideração o intervalo de tempo que ocasionou diversas novas percepções sobre o Gordito (inclusive em relação ao seu estranho gosto por "mulheres com algo mais"...). Mas, se bem que, com os gols que o dito cujo tem feito pelo Curíntia, talvez esse texto não esteja assim tããão desatualizado... Aí vai!

Fenômeno
s. m. 1. Toda modificação que se processa nos corpos pela ação de agentes físicos ou químicos. 2. Tudo o que pode ser percebido pelos sentidos ou pela consciência. 3. Fato de natureza moral ou social. 4. Maravilha. 5. Pessoa ou coisa que tem algo de anormal ou extraordinário.

É essa a definição que está no Dicionário Michaelis – Uol. Faltou um significado, que agora deveria ser incorporado aos dicionários ao redor do mundo: Ronaldo Luís Nazário de Lima. Já faz tempo que o Ronaldinho ganhou o apelido de Fenômeno. Foi quando ele chegou na Itália para jogar na Internazionale de Milão e encheu os olhos da torcida e da imprensa. Seguindo a definição que está no dicionário fica ainda mais claro que ele é mesmo um Fenômeno. Vamos por partes:

1. Toda modificação que se processa nos corpos pela ação de agentes físicos ou químicos. Não dá para disfarçar. Ao longo da carreira, Ronaldo realmente passou por diversas modificações. Saiu do Brasil em 1994 franzino, quase magrelo mesmo. Mas era extremamente ágil e rápido. Jogou na Holanda por um tempo e lá sofreu sua primeira modificação. Recebeu uma carga especial de treino físico e quando chegou ao Barcelona, já em 1996, não era mais um menino magrinho. Era um jogador forte, que agüentava trombadas e continuava rápido e ágil como sempre. Depois do Barcelona o destino foi a Itália. E lá ele passou por mais uma modificação. Para jogar no futebol italiano é necessário ter muita força física já que a marcação lá é muito mais firme e o espaço para dar grandes arrancadas é muito menor. E Ronaldo se adaptou mais uma vez. Ganhou bastante massa muscular e passou a ser um jogador de giro rápido e um chute extremamente forte. Todas estas modificações trouxeram conseqüências e as mais graves foram as seguidas lesões, principalmente no joelho.

2. Tudo que pode ser percebido pelos sentidos ou pela consciência. Ok, essa é uma definição um tanto quanto ampla. Mas vou me permitir florear um pouco. Ronaldo, ao longo de sua carreira, se fez ser percebido pelos sentidos e pela consciência. Um lado meu se sente meio indignado de dizer isso, já que o Fenômeno começou a ser percebido quando judiou, humilhou, passeou justamente sobre o meu Galo. Ele era apenas um garoto, mas deixou zagueiro caído, fez três gols e só não fez chover no Mineirão (ou será que fez?). Mas outro lado meu já se acostumou com a idéia e prefere lembrar-se das arrancadas em alta velocidade e os dribles desconcertantes que ele dava quando jogava no Barcelona. Ou da produção em série de gols que ele instalou na Inter logo que chegou lá. Ou das fantásticas atuações com a camisa amarela da Seleção. Ele foi percebido. Pelos sentidos e pela consciência de todos que torcem a favor ou contra os times que ele defendeu e ainda defende ou simplesmente admiram o futebol bem jogado.

3. Fato de natureza moral ou social. Você já imaginou o que é fazer 180.000.000 de pessoas abrirem um largo sorriso ao mesmo tempo? Tudo bem. Serei mais modesto. Já imaginou o que é fazer 60.000 pessoas que se reúnem em um estádio soltarem um grito de alegria ao mesmo tempo? No meu modo de ver, isto é sim um fato de natureza social. Colaborar com a alegria coletiva de uma nação ou da torcida de um time é sim um fato social. E é isso que o Ronaldo vem fazendo há alguns anos já. Na Copa do Mundo é um país inteiro esperando um momento. Momento que ele sabe proporcionar com maestria: o gol. Ser embaixador da ONU para as crianças pode até ser uma bela jogada de marketing. Mas é também um fato moral. É também arcar com a responsabilidade de tentar fazer com que crianças ao redor do mundo tenham, no mínimo, um pouco mais de esperança.

4. Maravilha. Bom. Ele por si só não é nenhuma maravilha, convenhamos. Mas podemos dividir este conceito para dois aspectos corriqueiros da vida do Ronaldo. Os gols e as mulheres. Fala sério, o cara pegou a Cicarelli e pega a Raica. Isso sem falar na Suzana Werner e na Milene que não são de se jogar fora. E isso é só o que a gente fica sabendo. Quanto aos gols são vários. Para mim, a síntese é um gol inesquecível que ele fez quando estava no Barça. A jogada começa no meio campo onde ele dá um corte seco e tira um marcador. Depois do drible ele arranca em direção ao gol. O segundo marcador é fintado e, em vão, tenta segurar o Fenômeno pela camisa. Ele continua correndo e passa por mais um marcador. Já está na área. O goleiro sai para tentar abafar a jogada e a finalização é um toque sutil no canto. Golaço. Antológico. Maravilha!

5. Pessoa ou coisa que tem algo de anormal ou extraordinário. Eu não diria anormal. Mas extraordinário ele é. É fora de série. E isso ele já era antes mesmo dos gols que marcou no último jogo, contra o Japão. Mas agora mais ainda. Ele já é referência. Já é, junto com o alemão Gerd Muller, o cara que mais fez gols na história das Copas. São 14. Ele só precisa de mais um golzinho para se tornar, sozinho, o maior artilheiro da história da Copa do Mundo. Isso não é pouca coisa não. É uma marca que tem que ser respeitada. É uma marca que não será batida facilmente. O cara é mesmo extraordinário.

E é isso. Ele é um Fenômeno. Desde o início da Copa eu estava apenas esperando qual seria seu grande jogo. Não é que eu estivesse torcendo para que ele se recuperasse e fizesse um bom jogo. Ele, logo ele, o rei das superações, o cara que chegou para a Copa de 2002 como um jogador que estaria em fim de carreira e fez nada mais, nada menos que oito gols em sete jogos. Eu sabia que ele ia se recuperar. Sabia que uma grande partida dele estava a caminho. E sei que muitos vão dizer: “Também, contra o Japão, até eu..” Será? Acho que não. Ele jogou bem, criou oportunidades, para ele e para companheiros. Fez gols. Até de cabeça. Tem que ser respeitado. Ele é o Fenômeno.